por Denis Jorge Hirano
09 de Junho de 2025 [1]
Assim como a maioria dos brasileiros, eu li Dom Casmurro. Mas sinto que foi ao ler A Semana que me aproximei mais do autor. Comprei o arquivo Kindle por menos de três reais, depois de ouvir sobre o livro em um podcast. O entrevistado garantia que Machado de Assis havia recusado receber 50 mil réis para escrever novelas no jornal Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, e aceitado apenas 30 mil para ter uma coluna só sua, onde pudesse escrever crônicas.
Ainda estou lendo. Já passei de um terço do livro, e será meu livro de cabeceira desta semana. O que me surpreende é que caí em dois golpes — ou em duas fake news. Fiz uma busca rápida na internet e não encontrei nenhuma fonte confiável que confirmasse essa história de Machado abrir mão de um valor maior para escrever o que queria. E o arquivo que baixei começa na crônica [98] — pelo menos, acho que é esse o número das crônicas. Parece que ele não colocava títulos; há apenas números ao lado da data de publicação de cada texto.
Vai ver, as fake news estão nascendo das minhas próprias palavras. Quem sabe o livro realmente começa na crônica [98]? E se o entrevistado fosse tataraneto do dono da Gazeta, e essa informação tivesse passado de geração em geração — por escrito — e só eles soubessem?
Mas, no fim das contas, nada disso importa. O que importa é que estou saboreando, aprendendo e compreendendo cada frase desse grande — para mim, o maior — escritor brasileiro.
Viu só? Até consegui escrever uma crônica!
Graças a Machado de Assis.
E, por que não, um brinde às fake news?
(Só dessa vez…)
Joinville, 15 de Junho de 2025
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