A Menina Sonhadora

por Denis Jorge Hirano

A menina sonhadora
Sonhava em andar sobre as nuvens
E sonhava em reduzir o seu tamanho para brincar com os duendes no quintal.

 

A menina sonhadora
Sonhava um dia respirar como os peixes
Para passar toda uma tarde deslizando sob às águas do mar.

 

A menina sonhadora
Sonhava em ser transformada em letras
Para fazer parte de um livro de uma história cheia de aventuras, do início até o final.

 

A menina sonhadora
Sonhava aprender a linguagem dos animais,
Se divertir com todos eles e convidá-los em hospedar em sua casa.

 

A menina sonhadora
Sonhava e sonhava sem parar…

 

Até que um certo dia, perguntaram à ela:
– E o que você vai ser quando crescer?
E na busca de uma resposta…
E pela primeira vez,
Deixou de sonhar.

 

E do espanto, a frustração e o início do medo.
E todo aquele universo colorido que a sempre a acompanhou
A abandonou sem despedidas.

 

E agora, as nuvens eram apenas nuvens.
Os duendes não existiam mais,
Os peixes se afastavam com a sua presença,
Os livros de aventura empoeirados na estante,
E os animais passaram a ser incompreensíveis.

 

Alguns anos se passaram, e na excursão da escola ao um museu,
Ela se deparou com um quadro inusitado:
Eram vacas que sobrevoavam sobre as casas segurando suas sombrinhas,
De um pintor russo-francês chamado Marc Chagall.
Ficou paralisada, com seus olhos arregalados e de boquiaberta.

 

Finalmente ela tinha a sua resposta!

 

E todo o universo que ela tinha construído no passado retornou
Como se nunca tivesse saído dela.
E a menina sonhadora retornou a sonhar.
Percebeu que são os seus sonhos que sustentam a sua autoestima
E decidiu nunca mais abandoná-los.

 

E, desde então, se afastou de qualquer outra pergunta difícil…

 

De qualquer outra pergunta adulta.

Joinville, 22 de Junho de 2025

Esse escrito faz parte do livro

O Invisível em Rimas Primárias 

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