por Denis Jorge Hirano
A maldade nos abraçou sufocadamente à força, com seu podre hálito de palavras carregadas de ódio, frases ensurdecedoras e previsíveis, remota do universo poético e suas melodias.
Até que um dia as lágrimas secaram, e em seguida, nos despedaçamos como folhas secas ao sermos pisoteados por coturnos de chumbo e ferro, de uma cega e surda ordem autoritária, aceita e acolhida por bípedes desorientados pelo medo da força bruta ou por um poder ilusório sem nenhum sentido.
E já não sentíamos mais nada.
De repente surgiu um forte vento que foi capaz de desalinhar e dispersar toda a marcha sincronizada e manchada de ignorância, e carregou com ele todos os pedaços das folhas quebradas, esquecidas e espalhadas sobre o chão cinzento e esburacado para um bosque que se situava no outro lado do horizonte.
Depois de algumas horas se apresentou o próximo Sol, e a partir do seu primeiro verbo espalhou a legítima cor desse mundo, o perfume natural de todas as coisas e o som dos pássaros e todos os outros seres habitantes dessa terra.
As folhas, antes secas, ganharam vida; depois os frutos e enfim a primeira poesia.
E pudemos voar com os pássaros e acompanhar detalhadamente cada ser vivo, suas cores e seu cheiro.
É aqui que devemos, e merecemos, estar.
É aqui! O nosso tempo e o nosso caminho…
É aqui.
E não mais lá,
Nunca mais, lá.
Joinville, 19 de Julho de 2025
Esse escrito faz parte do livro
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