Mão no Bolso

por Denis Jorge Hirano

Alguém já havia percebido
Que ando, sem notar,
Com uma das mãos no bolso,

 

E buscando um certo equilíbrio,
Com a outra…

 

O bolso está vazio
E com o desgaste, já sinto um pequeno rasgo…

 

Mas o que escondo,
É o que lembro,
Da textura dos seus dedos
Entre os meus…
Quando eu não precisava
Nada esconder:

 

Nem as mãos,
Nem os dedos,
E nenhum dos meus sentimentos…

 

Porque era tão óbvio,
Era tão na cara,
Que não me importava.

 

Na verdade, nada me importava.

 

Mas agora, já me importo.

 

E agora, importo,
Para o meu desequilíbrio,
Todas as nossas tardes
Entre a palma e meus dedos…

 

E as lembranças que eu tenho
São como um último grão de areia
Prestes a se perder
No rasgo do meu bolso

 

Direito.

 

Mas continuo a andar
Com uma das mãos no bolso,
Mas tão desequilibrado

 

Quanto um bêbado.

Joinville, 22 de Junho de 2025

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